Poemas e Reflexões
Quem sou eu
- Paulo Viana
- Pacoti, Ceará, Brazil
- Funcionário Público, Varzealegrense, casado,55 anos
terça-feira, 3 de maio de 2011
Soneto
É apenas um piscar de uma estrela
E portanto é difícil descrevê-la
Ou dizer se está sendo bem vivida
Mas se nós a conduzirmos bem sentida
Sem querer, só pensando, resolvê-la
Bem mais plena e saudável vamos tê-la
E a dúvida do ser será contida
Pois nos basta buscar a harmonia
Apostando na paz e na alegria
Que o espírito será recompensado
E o tempo senhor da nossa idade
Na sua inevitável realidade
Mostrará nosso ser realizado
Paulo Viana
domingo, 1 de maio de 2011
Aurora e Crepúsculo
O tempo inaugura a primeira solidão
O nó é desfeito
Há uma atmosfera de inocência
De pureza, de bondade
O cenário é divinal
Mas logo se estabelece a segunda solidão
Eis que surge o outro
A inevitável e imprescindível mão que recebe
O inesperado assombro do “não si mesmo”
A poeira do sacrifício, da dor, da vivência
O mundo se disfarça de amor e o sexo de alimento
Não importa nenhuma tragédia freudiana
As forças naturais, viçosas, promissoras aos poucos recuam
Se institui o ódio, pois já não há mais pureza
O amor protege, o alimento excita o animal
O que estava moldado reinventa-se no prazer e na dor
O desejo é maculado, nutrido pelo contato entre a suavidade e a rigidez
Uma vez que o desejo fica no vazio a rejeição o preenche
Feito um punhal impiedoso, o não fere mortalmente o sim da vontade
Mas a força da alma vem de uma incomensurável necessidade
Forjada no ventre sagrado do inexplicável
O caloroso e blindado sim das entranhas
E a estética proteica faz a travessia
Do aconchego natural para as missões perversas
No dia e na noite, no deserto ou na miscelânea de luzes e sons
Hércules, Prometeu, Jasão
Todos os heróis, sob ameaça permanente, se põem de guarda
O outro, com armadilhas, molda a covardia ou o triunfo
Há os que quedam pelo caminho, mas há, também, os que vingam
E o uno se aventura no desafio de mudar e ser sempre o mesmo
Chega, por fim, sua terceira e última solidão
Paulo Viana
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Momento
Desvendar segredos de um corpo macio
Respirar o sopro de tua boca quente
Sentir o calor de um desejo ardente
Ver tua umidade correr como um rio
Deixar a cabeça solta em desvario
Penetrar tua ânsia perdendo o bom senso
Beijar teu sorriso com um amor imenso
Sussurrar no ouvido palavras picantes
Profanar o mundo etéreo dos amantes
Celebrar a vida com um prazer intenso
Paulo Viana
sábado, 16 de abril de 2011
Jogos
Em minha esperança derramaste fel
E se me lambuzaste com ternura e mel
Me lambeste a alma com saudade e dor
Todo esse contraste desesperador
Nesse desencontro de intenções fatais
Faz dos sentimentos emoções banais
Cria desencanto onde havia luz
Hoje teu carisma não mais me seduz
Para a sordidez dos teus jogos carnais
Paulo Viana
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Desencanto
Este teu ímpeto abrupto, fugaz
Sanguíneo espasmo, súbito, mortal
É antitético e paradoxal
Pois teu olhar parece um gesto de paz
Porém mostrastes do que eras capaz
E me deixastes taciturno e triste
E neste clima que em mim persiste
Vejo a doçura virar azedume
E congelar o que era antes lume
Porque o amor por ti não mais existe
Paulo Viana