terça-feira, 3 de maio de 2011

Soneto

Tenho plena consciência que a vida
É apenas um piscar de uma estrela
E portanto é difícil descrevê-la
Ou dizer se está sendo bem vivida

Mas se nós a conduzirmos bem sentida
Sem querer, só pensando, resolvê-la
Bem mais plena e saudável vamos tê-la
E a dúvida do ser será contida

Pois nos basta buscar a harmonia
Apostando na paz e na alegria
Que o espírito será recompensado

E o tempo senhor da nossa idade
Na sua inevitável realidade
Mostrará nosso ser realizado

Paulo Viana

domingo, 1 de maio de 2011

Aurora e Crepúsculo

O tempo inaugura a primeira solidão

O nó é desfeito

Há uma atmosfera de inocência

De pureza, de bondade

O cenário é divinal

Mas logo se estabelece a segunda solidão

Eis que surge o outro

A inevitável e imprescindível mão que recebe

O inesperado assombro do “não si mesmo”

A poeira do sacrifício, da dor, da vivência

O mundo se disfarça de amor e o sexo de alimento

Não importa nenhuma tragédia freudiana

As forças naturais, viçosas, promissoras aos poucos recuam

Se institui o ódio, pois já não há mais pureza

O amor protege, o alimento excita o animal

O que estava moldado reinventa-se no prazer e na dor

O desejo é maculado, nutrido pelo contato entre a suavidade e a rigidez

Uma vez que o desejo fica no vazio a rejeição o preenche

Feito um punhal impiedoso, o não fere mortalmente o sim da vontade

Mas a força da alma vem de uma incomensurável necessidade

Forjada no ventre sagrado do inexplicável

O caloroso e blindado sim das entranhas

E a estética proteica faz a travessia

Do aconchego natural para as missões perversas

No dia e na noite, no deserto ou na miscelânea de luzes e sons

Hércules, Prometeu, Jasão

Todos os heróis, sob ameaça permanente, se põem de guarda

O outro, com armadilhas, molda a covardia ou o triunfo

Há os que quedam pelo caminho, mas há, também, os que vingam

E o uno se aventura no desafio de mudar e ser sempre o mesmo

Chega, por fim, sua terceira e última solidão

Paulo Viana

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Momento

Desvendar segredos de um corpo macio

Respirar o sopro de tua boca quente

Sentir o calor de um desejo ardente

Ver tua umidade correr como um rio

Deixar a cabeça solta em desvario

Penetrar tua ânsia perdendo o bom senso

Beijar teu sorriso com um amor imenso

Sussurrar no ouvido palavras picantes

Profanar o mundo etéreo dos amantes

Celebrar a vida com um prazer intenso

Paulo Viana

sábado, 16 de abril de 2011

Jogos

Se em meu ouvido sussurraste amor
Em minha esperança derramaste fel
E se me lambuzaste com ternura e mel
Me lambeste a alma com saudade e dor
Todo esse contraste desesperador
Nesse desencontro de intenções fatais
Faz dos sentimentos emoções banais
Cria desencanto onde havia luz
Hoje teu carisma não mais me seduz
Para a sordidez dos teus jogos carnais
Paulo Viana

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Desencanto

Este teu ímpeto abrupto, fugaz

Sanguíneo espasmo, súbito, mortal

É antitético e paradoxal

Pois teu olhar parece um gesto de paz

Porém mostrastes do que eras capaz

E me deixastes taciturno e triste

E neste clima que em mim persiste

Vejo a doçura virar azedume

E congelar o que era antes lume

Porque o amor por ti não mais existe

Paulo Viana