terça-feira, 23 de junho de 2009

INDICAÇÃO PARA PRÊMIO

O Blog NOVA PANGEIA DE LETRAS, da talentosíssima escritora e poeta portuguesa Isabel Branco, foi agraciado com um prêmio internacional – já são vários que ele ganha – com direito a indicar cinco blogs para ganhar o mesmo prêmio. Este blog está entre os cinco indicados por ela, o que me deixou muito feliz e emocionado. Mais uma vez agradeço a indicação à Isabel Branco, e aos meus leitores dedico essa honraria, pela atenção e incentivo.

(O TEXTO ABAIXO FOI TRANSCRITO DO BLOG NOVA PANGEIA DE LETRAS)

Prémio internacional UTOPIE CALABRESI


Recebi este prémio do queridíssimo amigo Domenico Condito do blog "Utopie Calabresi" que muito me sensibiliza e agradeço.
Transcrevo, abaixo, esta atribuição e respectivas normas repartindo-o com muito carinho e apreço por alguns dos blogs que mais me cativam.
Quanto ao humanismo apraz-me dizer que cada ser humano é um pequeno universo na galáxia dos valores e da dignidade. Pena que o preconceito de tantos ainda não os deixe perceber que podem transformar o mundo num local melhor para viver.

Transcrevo esta frase de Martin Luther King, tão a propósito:

"Se soubesse que o mundo se desintegraria amanhã, ainda assim plantaria a minha macieira.O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos.Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos."

Grazie mille Domenico

"O Premio Internazionale UTOPIE CALABRESI inspira-se nos valores do Humanismo, entendendo-se por isso “
tudo o que é digno do homem e o torna civilizado, elevando-o acima da barbarie”. Este “selo” foi criado com o objetivo de premiar os blogs que promovem conhecimento livre, cultura e arte, tolerância e aceitação da diferença, amizade e solidariedade entre os povos... "

Quem recebe o Premio Internazionale UTOPIE CALABRESI e o aceita deve:

- visitar o blog
UTOPIE CALABRESI,http://utopiecalabresi.blogspot.com/ ,
- clicar na imagem do prémio colocada na homepage e deixar um comentário sobre o Humanismo;
- escolher 5 outros blogs a quem entregar o prémio;
- linkar o blog pelo qual recebeu:
NOVA PANGEIA DE LETRAS -http://novapangeia.blogspot.com/
- exibir a distinta imagem.

Indico os seguintes blogs para receber este prémio:

Pretexto Clássico - http://pretexto-classico.blogspot.com/

As Minhas Romãs - http://romasdapaula.blogspot.com/

O Profeta - http://profeciaeterna.blogspot.com/

História Viva - http://historianovest.blogspot.com/

Paulo Viana - http://paulovianabezerra.blogspot.com/

Gulliver - http://freespiritman.blogspot.com/

Internapoli City - http://internapoli-city.blogspot.com/

A favor do Humanismo em defesa da Humanidade!




quarta-feira, 17 de junho de 2009

O Cursor e o Tempo

Pulsando sobre a luz branca do papel virtual, ávido por desenhar palavras organizadas em um sentido inteligente e inovador, o cursor desafia a criatividade e suplica ideias. Sem querer discorrer sobre assuntos já debatidos, o autor, vacilante passageiro dessa viagem única e sem volta, desvia o olhar do passado, controlando o impulso para não projetá-lo no futuro. Ao tentar fixar-se no presente, percebe que este é apenas um momento de transição, uma oportunidade para ajustarmos a trajetória da vida, no sentido de conduzi-la com mais tranquilidade, na produção de caminhos menos tortuosos e mais harmoniosos.

Quantas oportunidades perdemos, ao longo dessa caminhada, de mudar nossas atitudes, resolvendo problemas que insistimos em manter, por fraqueza, por dependência, pela manutenção de um prazer que mais prejudica do que beneficia; pela falta de coragem de abrir mão do rotineiro; pelo medo do novo! Quantas vezes sucumbimos ao apelo do prazer imediato, da ansiedade e da solidão, que nos fazem consumir sem necessidade, nos enganando ao conceder milésimos de segundos de conforto, e nos desamparando a seguir! O presente é o único momento que temos para evitar que o futuro seja uma reedição do passado ruim. Em todas as vidas há correções a se fazer.

Mas o presente é, também, o momento de consolidar avanços em nossas vidas; de manter as atitudes positivas; de resistir com nossos valores morais à sedução dos ganhos fáceis e ilícitos e de reafirmar nosso amor ao mundo, à vida e às pessoas que amamos de verdade. É uma dádiva única, solitário instante de luz brilhante em nossa alma. Efêmera luz, brilho passageiro, que se apaga, quando se veste de passado, e se reacende, quando o futuro se apresenta. Pulsante como este cursor exigente.

O passado projeta no presente as sementes do futuro. Basta saber escolher os grãos a serem semeados. Escolhendo os grãos errados teremos uma colheita ruim. E o tempo de semear é todo dia, assim como o tempo de colher. E o único fertilizante que devemos aplicar é o amor à vida. Sei que todos sabem disso, porém não custa lembrar.

Pois eis que discorrendo sobre passado, presente e futuro o tempo passou e a avidez do cursor foi acalmada, embora ele continue solicitando um fechamento do texto e da ideia. E como poderíamos satisfazê-lo? Se cada um dos leitores, ao final da leitura dessas palavras, fizer uma reflexão sobre as sementes que vai plantar naquele dia, ou no dia seguinte, e apostar em terrenos mais férteis em paz, harmonia, alegria e amor, tirando as ervas daninhas do egoísmo, da ambição, da intolerância e da indiferença, se estas existirem na lavoura de suas almas, certamente o cursor poderá sentir-se satisfeito ao desejar que palavras fossem escritas na luz branca desse papel virtual.

Sabemos que na vida, como na natureza, as intempéries são possíveis, e aconteçam “tempestades”, tragédias e outros fenômenos. Ergamo-nos, como se ergue a natureza, e reconduzamos a vida ao seu caminho normal. Ao mal que não podemos evitar temos o amor à vida. Ao mal que podemos evitar temos o presente para refletir e semear o que venha nos trazer o bem. O resto é hormônio.

Paulo Viana

terça-feira, 9 de junho de 2009

Tragédias Silenciosas

Submersas por uma lâmina de um espelho inesperado, mandado, talvez, pela alma do Planeta ferido, as cidades nordestinas sofrem as conseqüências da devastação e do desequilíbrio. E ainda dizem que não acontecem tragédias no Brasil.

Não quero ser pregador do pessimismo, mas as maiores tragédias acontecem silenciosamente. Não se faz alarde porque já estão comuns e há pouquíssima reação contra elas.

Quando vejo troncos deslizando nos rios amazônicos, sinto a força de um terremoto cujo epicentro está no bolso dos inescrupulosos parasitas da natureza. São pintores maus e, em nome do lucro, insistem em "amarronzar" o verde da parte de cima do nosso mapa. Isso é uma grande tragédia.

Quando vejo falsas duplas sertanejas, pagodes e axés descartáveis, sofríveis bandas de forró e outras gravações ridículas ocuparem quase toda a mídia, por determinação desta manipuladora de gostos, que empurra a porcaria para consumo imediato e deixa o grande público sem direito à alternativa de qualidade, sinto a força de um furacão. E os poetas, instrumentistas, compositores, cantores que produzem arte são varridos para um canto, onde a elite, por querer intimidade com o culturalmente correto, consome, e os de bom gosto e sensibilidade estimulada apreciam.

Não precisaria nem citar exemplos na política brasileira para caracterizar esta como fonte de tragédias. Mas é bom lembrar: A corrupção é uma grande tragédia que fomenta milhares de outras, como as obras inacabadas; o superfaturamento; o sistema educacional ineficiente; o sistema de saúde insatisfatório; o desemprego e outras já muito debatidas. E ainda é regra no espírito público. Os honestos são raríssimas exceções.

Não podemos deixar de registrar, nesse cenário de acontecimentos trágicos na ecologia, na política, na economia, na arte, alguns avanços na sociedade brasileira. Todos nós sabemos que houve afrouxamento na democracia e maior consistência na economia.

E quem seria o vilão de todas as hecatombes, nacionais e internacionais? Quem provocou e ainda provoca todas as guerras contemporâneas? Quem destrói e desequilibra a natureza? Para tornar impessoal essa culpa, alguém diria: Não é quem, é o que. Pois fingiremos aceitar esse argumento. Então, o que causa e se beneficia de todas as tragédias? A resposta é fácil: O Capital. E isso não é discurso marxista, é apenas a constatação de um fato. Há, porém, uma complementação a ser feita: O Capital não tem vida própria; por trás dele existem homens ambiciosos que fariam qualquer coisa para vê-lo crescer. Por outro lado, milhões de pessoas simplesmente se omitem e deixam as tragédias seguirem, em silêncio, como se milhares de crianças morrerem de fome, ou por causa de doenças evitáveis, fosse menos importante do que a queda de um avião.

Nós provocamos as tragédias. Nós somos os vilões dos problemas ambientais e sociais; Os intelectuais que aceitaram passivamente a reviravolta ideológica, simbolizada na destruição de um muro como o fim da esperança de uma democracia mais verdadeira; Os políticos que compraram o bilhete na segunda classe dessa aventura suicida, deixando para trás o sentido da palavra revolução e o contraponto da metafísica, ou seja, o materialismo dialético; Os omissos diante da permanência das contradições desse velho sistema que comprova: Somos, realmente, os lobos de nós mesmos.

E não adianta dizer que a salvação é o modelo de democracia que conhecemos, pois isso, para mim, é o maior engodo que poderia ter sido empurrado na goela dos menos esclarecidos. É querer acabar com a esperança de um dia unir-se a paz com a justiça. A perda da esperança, sim, é a maior de todas as tragédias.

Paulo Viana

quinta-feira, 4 de junho de 2009

O Sentido da Vida é Viver

A vida é uma preciosidade cujo valor não pode ser medido. Com esta afirmação, inicio o meu texto desta semana. Não porque me tenha ocorrido uma revelação divina ou porque tenha acontecido algo que fez meu ego explodir em satisfação, mas porque é preciso que, todos os dias, repitamos isso. E, muito mais, é fundamental que sintamos isso.

Na esteira perversa do cotidiano nos deixamos contaminar pela aridez hormonal, pela competição social e pela ambição material. Não paramos para olhar, por um momento apenas, a imensidão do céu, com seus mistérios, com suas estrelas, quando o sol se ausenta. E quando o olhamos, com olhos de pincéis, derramamos um azul que disfarça sua grandiosidade, nos aproximando de nossa pequenez. Ficamos maiores e mais significantes. Á noite, com olhos de poetas, fingimos acreditar que o brilho da lua é, tão somente, um capricho do sol para que estrelas maiores e mais distantes não queiram vencer uma competição de luzes, e os tesouros não descobertos sejam esquecidos, porque insistimos em pensar que somos os únicos que a natureza elegeu para refletir. Não posso acreditar que sejamos os únicos, mas posso assegurar que estamos aqui.

E é por estarmos aqui, sujeitos desta oportunidade, que devemos usar com mais propriedade a prerrogativa da reflexão. Há uma afirmação de vida na paz, então por que buscar o conflito? Há harmonia na justiça, por que não lutar por ela? Isso torna a vida mais valiosa: buscar a paz, porém, no caminho dela há a justiça. Não há paz se não houver justiça. Estamos condenados a este ciclo de contradição? Então onde está a beleza da vida?

Não há caminho sem obstáculos; Rio sem barreiras a serem vencidas ou desviadas; Alívio sem dor; Alegria sem tristeza. Até o amor tem o ódio à sua espreita. A vida é feita de contradições; é a celebração do conflito entre o ser e o não ser. Não podemos desistir ou nos desesperar por causa desse destino. Afinal, se o vivenciamos é porque estamos vivos. Desconheço a existência de um morto triste ou de alguém que ainda não nasceu alegre. Só a vida nos dá o direito de sorrir e chorar. Então choremos pelos mortos e vamos sorrir pelos que nascem. Mas, sobretudo, vamos exercer o nosso direito de sorrir e de chorar.

Por isso, amigos, se a tristeza entrar por sua porta deixe-a aberta, porque esperando, lá fora, está a alegria. Se a tristeza insistir em ficar é porque entendeu que ali era a casa dela. Aproprie-se, então, do seu espírito; Descubra um jeito de expulsar a tristeza e convide a alegria a ocupar o espaço que também lhe é de direito. Assim a vida seguirá seu caminho naturalmente.

A vida é feita de escolhas e estas desencadeiam todo o resto. Há escolhas apropriadas e há outras inadequadas. Há, ainda, a possibilidade de corrigirmos o erro. Não podemos, jamais, fugir do risco porque ele traz incertezas. O sofrimento deve ser evitado, mas não deve ser inútil. Não poderemos aprender se a lição não nos for apresentada. Devemos fugir da certeza que produziremos o mal.

Tudo que foi dito, acima, não é nenhuma novidade, mas teimamos e esquecemos que a vida é a essência da simplicidade. O caminho que ela percorre é o caminho que a natureza traçou. Claro que a convivência exigiu ajustes e a cultura providenciou. É lamentável que, o que poderia ser uma união genial, ou seja, a natureza e a cultura, transformou-se num pesadelo suicida e a vida passou a trilhar caminhos nebulosos e complicados. Mas, cá estou, lembrando: não nos deixemos cair neste universo de brilho efêmero, pois ele apaga tão rapidamente quanto o surgimento de uma nova promessa da chegada de um brilho mais intenso ainda. O brilho da vida está no simples fato de viver, e nada é capaz de ofuscar, porque somos nós mesmos as estrelas que fazem a vida cintilar.

Paulo Viana

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A Retórica e o Diabo


                        Se o diabo existisse, estaria assistindo a tv e rindo das desgraças que acontecem no mundo. Certamente, teria ganhado a aposta com Deus, se tivesse feito, que o ser humano, entregue a esse tal livre arbítrio, não daria certo e sucumbiria por causa da sua ambição e de sua fome de poder. Brindaria sua vitória por ter conseguido manter, por tanto tempo, em tantas pessoas, a injustiça, desigualdade, fome, corrupção, egoísmo e nenhum amor à vida e ao Planeta.

       O diabo não existe. Aquela figura chifruda foi criada pela igreja católica para associar os símbolos das religiões concorrentes ao mal. O que existe, de fato, são as relações entre as pessoas e entre elas e o Planeta. O que existe mesmo é uma trajetória movida pelo interesse no poder, no prazer em demasia, fundamentada pela criação de doutrinas convincentes, como a democracia, cuja prática está longe de se assemelhar à teoria. Sem contar os problemas hormonais e os transtornos psicológicos.

                        Cabe, aqui, uma pergunta: de que adianta esse discurso romântico? Onde estão os ideais de liberdade, justiça, igualdade e fraternidade? Onde está o humanismo? Ah! - Diria o diabo depois de mais um gole diante da tv - A retórica foi um artifício que eu adicionei à razão humana. Esta seria muito pobre se a lógica formal fosse sua única vestimenta. Dei uma incrementada no uso da palavra para que, o que parecesse verdade, de um lado, fosse mentira do outro. Assim os pobres seriam enganados com mais facilidade e os ricos viveriam em paz.

                        Deus, com sua fé inabalável, mantém-se calado, acreditando que um dia a razão, despindo-se da retórica e usando a lógica, dirá: Não podemos mais admitir tanto alimento apodrecendo nos supermercados, enquanto tantas pessoas morrem de fome no mundo. O diabo continua apostando no ideal capitalista: o lucro. Mas o diabo não existe e Deus é uma prerrogativa da fé que os seres humanos têm em sua capacidade imaginativa. Acreditaram tanto em Deus, ao longo da história, que hoje é quase impossível ele não existir. Afinal, a quem os pais confiariam a vida dos filhos, quando saem de casa, neste mundo em que o diabo dá as cartas?

                        Como bom idealista, mantenho a minha fé, pois existem pessoas boas e haverá um momento em que os seres humanos estarão materialmente equilibrados. Acredito, até, que há potencial para haver uma mudança espiritual e, como desdobramento, diminua muito o sofrimento no mundo. Mas não posso mais acreditar nessa retórica de Democracia, Deus, diabo, crescimento econômico e outras artimanhas da inteligência humana. Essa conversa me cansou. Não me convence mais. O que me convence é a boa vontade, a capacidade de perdoar, a solidariedade e o desapego. O que me estimula é a ação positiva, concreta, que não usa a retórica, porque esta é atributo das palavras e as palavras, sozinhas, são apenas lembranças do que aconteceu ou prenúncio do que poderá acontecer, não são os acontecimentos. 

 

                        Paulo Viana